11.2.09

Tudo

Gene Tierney, anos 40, fotografia de John Rawlings

Tudo me é uma dança em que procuro
A posição ideal,
Seguindo o fio dum sonhar obscuro
Onde invento o real.

À minha volta sinto naufragar
Tantos gestos perdidos
Mas a alma, dispersa nos sentidos,
Sobe os degraus do ar...


Sophia de Mello Breyner
Poesia I, 1944


O Tempo de todos os Tempos

Fotografia de Yann Arthus-Bertrand

Vivemos o tempo de todos os tempos. Com a expansão das redes de comunicação, com o acesso a cascatas intermináveis de imagens e de informação somos tocados pela dispersão e obrigados a abrigar todos os tempos dentro do nosso. Temos uma obsessão pelo tempo real, pelo registo dos acontecimentos, pelo novo que mais não é um sintoma do medo de já não nos restar mais nada com que sonhar. Será então isso? Estaremos nós já suspensos na dispersão? Estará a humanidade à deriva dos acontecimentos como se eles tivessem tomado as rédeas ao "destino"? Estará a Humanidade sem energia e sem meios para idealizar um caminho para si mesma?
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Vejo-te chegar e dou-te as boas vindas.
São sempre precisos dois para pensar, nem que seja o que fomos e o que seremos.
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