17.2.09

...from across the sea ....


The summer wind, came blowin' in - from across the sea
It lingered there, so warm and fair - to walk with me
All summer long, we sang a song - and strolled on golden sand
Two sweet hearts, and the summer wind

Like painted kites, those days and nights - went flyin' by
The world was new, beneath a blue - umbrella sky
Then softer than, a piper man - one day it called to you
And I lost you, to the summer wind

The autumn wind, and the winter wind - have come and gone
And still the days, those lonely days - go on and on
And guess who sighs his lullabies - through nights that never end
My fickle friend, the summer wind

The Summer Wind por Madeleine Peyroux


16.2.09

A vida, sentido de oportunidade


O que somos para além do tempo que esculpe e envelhece o nosso corpo? É uma das questões reflectidas no filme O Estranho caso de Benjamin Button . Baseado num conto de E F. Scott Fitzgerald publicado em 1921, este filme é realizado por David Fincher e conta com excelentes interpretações de Brad Pitt e Cate Blanchett.
Quantas vezes o espírito não se sente aprisionado pelo corpo? Eu diria quase sempre. Mas por mais que nos aprisione é o corpo o veículo de expressão, de contacto com o mundo, é ele que nos dá, enfim, a noção de estarmos vivos.
Sentimos pela vida toda o corpo como o limite, o único limite, para um espírito que teima em resistir, que envelhece e rejuvenesce tantas vezes ao dia. Há um momento em que o corpo já não corresponde a essa agilidade, porque não é livre na sua condição real. É essa a melancolia, a de viver entre um princípio e um fim, mesmo que esse tempo seja invertido, fragmentado. Somos a infinita possibilidade cercada pela irreversibilidade do tempo. A arte de viver é relembrada neste filme como o sentido de oportunidade de um encontro. Cada um desses encontros são como pontes, milagres no cruzamento de outras vidas com a nossa. Muitas vezes a um espírito atormentado pelos limites do corpo e pela passagem do tempo, escapa-lhe o mais importante: viver. Estes personagens sabiam que esse encontro é breve, que o sentido da oportunidade é curto e que só isso nos é dado.



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15.2.09

O passeio dos poetas

The Mall, Central Park, New York, 1905

The Mall, Central Park, New York, actualidade

Existem lugares que mesmo que nunca os tenhamos visitado, fazem parte de nós, do nosso imaginário. São reservas, energias de uma esperança que parecem guardar o percurso dos homens pelo tempo. Parecem talhados para nos proteger do caos, do vazio, da desordem. São criados para dar um sentido à caminhada. Estão lá, à espera que alguém que os encontre como quem encontra o sol, a brisa, as árvores. The Mall , o passeio dos poetas, como alguém já lhe chamou, é para mim um desses lugares.
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14.2.09

I'll Close My Eyes


I'll Close My Eyes - Cherokee - Joanie Sommers

12.2.09

O encanto perdido


Na imagem vemos Gene Tierney . A fotografia será dos inícios dos anos 40 ou mesmo do final da década de 30. É fácil advinhar que a sua carreira estava ainda a começar. Há no seu rosto qualquer coisa de autêntico que as cameras e a fama ainda não haviam tomado. Há uma promessa no ar.

Nesse tempo, parece que ainda existiam muitos traços a definir, muitos caminhos a percorrer, muita vida por experimentar. Vivia-se a infância de qualquer coisa que hoje me parece decadente, sem encanto. Talvez não seja somente na pureza do preto e branco que desvendamos tudo isto, mas na vida que se mostra para além deles.

E porque será que nos parece mais distante este tempo do que outro anterior? Talvez porque desse outro tempo mais recôndido escasseiem as imagens para o confrontarmos e neste temos já a imagem do nosso tempo, mas com tudo o que perdemos nestes 60 anos. Se o pensamento é quase sempre uma imagem, seremos capazes de encontrar um novo sentido no invisível?

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11.2.09

Tudo

Gene Tierney, anos 40, fotografia de John Rawlings

Tudo me é uma dança em que procuro
A posição ideal,
Seguindo o fio dum sonhar obscuro
Onde invento o real.

À minha volta sinto naufragar
Tantos gestos perdidos
Mas a alma, dispersa nos sentidos,
Sobe os degraus do ar...


Sophia de Mello Breyner
Poesia I, 1944


O Tempo de todos os Tempos

Fotografia de Yann Arthus-Bertrand

Vivemos o tempo de todos os tempos. Com a expansão das redes de comunicação, com o acesso a cascatas intermináveis de imagens e de informação somos tocados pela dispersão e obrigados a abrigar todos os tempos dentro do nosso. Temos uma obsessão pelo tempo real, pelo registo dos acontecimentos, pelo novo que mais não é um sintoma do medo de já não nos restar mais nada com que sonhar. Será então isso? Estaremos nós já suspensos na dispersão? Estará a humanidade à deriva dos acontecimentos como se eles tivessem tomado as rédeas ao "destino"? Estará a Humanidade sem energia e sem meios para idealizar um caminho para si mesma?
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Vejo-te chegar e dou-te as boas vindas.
São sempre precisos dois para pensar, nem que seja o que fomos e o que seremos.
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