10.5.09
Céu
Como não tenho máquina fotográfica, tenho que vos descrever o magnífico céu deste final de tarde:
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Fim de tarde de nuvens, como flocos de neve em labaredas alinhados em estrada para Oeste. Ou talvez como asas incendiadas pelo sol-pôr, voando sobre a costa.
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Conseguem imaginar?
7.5.09
White As Diamonds
(...)
some hearts are ghosts settling down in dark waters
just as silt grows heavy and drowns with the stones
I've known mornings
white as diamonds
silent from a night so cold
such a stillness
calm as the owl glides
our lives are buried in snow
(...)
Alela Diane canta White As Diamonds
altruísmo # egoísmo

6.5.09
Os Portugueses
"OS PORTUGUESES não formam uma sociedade porque não são sócios uns dos outros. Tomemos os exemplos mais corriqueiros. Na cidade velha, vai-se pela rua e pode-se apanhar com sacos de migas de pão ralado, atirados aos pombos, na cabeça. E a rua está cheia de cagadelas de cão, coisa que não se vê em mais cidade nenhuma, porque cada um entende que o espaço público se pode sujar à vontade. Lisboa é habitada por uma horda que usa fato e gravata e anda de automóvel, mas que não chegou sequer ao patamar mínimo de civilização urbana. Começa-se sempre de cima para baixo. A Lisboa 94, com a sua falta de ideia, fez várias coisas em cima sem haver nada em baixo, confundiu arte com cultura. A cultura começa nas ruas onde se pode andar, no ambiente cuidado, nos jardins tratados, que não existem.
Há um total desprezo do próximo, uma falta de noção dos direitos e deveres urbanos civilizacionais. Soube agora de um caso que se passa num prédio normal do centro da cidade. Há alguém que guarda a moto do filho de família no patamar entre o terceiro e o quarto andares e, quando Ihe vão dizer que não o pode fazer, essa gente que é licenciada fecha a porta, dizendo: «A moto é minha, eu faço o que eu quero!» Tal e qual como o sapateiro que bate no filho e diz: «O filho é meu, eu faço o que quero!». É a sociedade do «salve-se quem puder». A maior parte das discussões que se geram em bichas, em lugares públicos onde se reclama um direito, resulta da falta de noção muito exacta que qualquer alemão, francês ou italiano tem dos seus direitos e deveres. Aqui é tudo uma «questão particular». Passa a não ser uma sociedade organizada mas um clã. É simpático, de repente, encontrarmos uma grande humanidade e intimidade onde menos esperávamos. Sabe bem mas o preço é caro, implica um dia-a-dia desgastante, onde tudo funciona improvisada e desastradamente. Nem se pode andar pelas ruas porque os carros ocupam os passeios. São insignificâncias que vão criando e alimentando quotidianamente um mal-estar, um cansaço, uma perda de energia. Quando ando pela Baixa duas ou três horas, começo a sentir um esgotamento de tipo espiritual, ao contrário do que acontece em qualquer cidade europeia em que fico mais alerta, enérgico e cheio de ideias. Aqui, começo a arrastar os pés e a andar em passo de procissão, que é como fazem os portugueses, um pouco vergados, dai a metáfora de trazer um peso nas costas. Há, de facto, um peso qualquer que está lá dentro, nas costas do espírito. Este país é como uma eterna pequena constipação." (...)
Ser Turista
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Don DeLillo, in Os Nomes
5.5.09
Nós perante a paisagem
3.5.09
o perfume dela, por exemplo ...
imagem do filme Aurora de Friedrich Murnau, 1927Eis um efeito que me será contestado, e que só apresento aos homens que, digamos, são bastante infelizes para terem amado com paixão durante longos anos, dum amor contrariado por obstáculos invencíveis: A vista de tudo o que é extremamente belo, tanto na natureza como nas artes, traz-nos a recordação do que amamos, com a rapidez de um relâmpago. É que, pelo processo do ramo de árvore guarnecido de diamantes da mina de Salzburgo, tudo o que no mundo é belo e sublime faz parte da beleza do que amamos, e esta visão imprevista da felicidade enche-nos os olhos de lágrimas num instante. É assim que o amor do belo e o amor se dão vida um ao outro. Uma das infelicidades da vida é que a ventura de ver a quem amamos e de lhe falar não deixa recordações distintas. Aparentemente, a alma está demasiado perturbada pelas suas emoções para poder prestar atenção ao que as causa ou as acompanha. Transforma-se na própria sensação. É talvez porque estes prazeres não se podem renovar sempre que queremos, por simples força de vontade, que se renovam com tanta força, desde que um objecto qualquer nos venha tirar da meditação consagrada à mulher que amamos, e lembrar-no-la mais vivamente por meio de uma nova sugestão (o perfume dela, por exemplo).
Stendhal (1783-1842) in Do Amor
30.4.09
The Good Life
Oh, the good life, full of fun seems to be the ideal
Hum, the good life lets you hide all the sadness you feel
You won't really fall in love for you can't take the chance
So please be honest with yourself, don't try to fake romance
It's the good life to be free and explore the unknown
Like the heartaches when you learn you must face them alone
Please remember I still want you, and in case you wonder why
Well, just wake up, kiss the good life goodbye
The Good Life por Tony Bennett
O Beijo
Jantar com amigos
28.4.09
É no dar que a solidão se esbate
27.4.09
O bem de sermos diferentes
26.4.09
Da Noite
.23.4.09
Da Liberdade
Nunca acreditei que a liberdade do homem consiste em fazer o que quer, mas sim em nunca fazer o que não quer, e foi essa liberdade que sempre reclamei, que muitas vezes conservei, e me tornou mais escandaloso aos olhos dos meus contemporâneos. Porque eles, activos, inquietos, ambiciosos, detestando a liberdade nos outros e não a querendo para si próprios, desde que por vezes façam a sua vontade, ou melhor, desde que dominem a de outrem, obrigam-se durante toda a sua vida a fazer o que lhes repugna, e não descuram todo e qualquer servilismo que lhes permita dominar.
22.4.09
Não penses para amanhã
."Não penses para amanhã. Não lembres o que foi de ontem. A memória teve o seu tempo quando foi tempo de alguma coisa durar. Mas tudo hoje é tão efémero. Mesmo o que se pensa para amanhã é para já ter sido, que é o que desejamos que seja logo que for. É o tempo de Deus que não tem futuro nem passado. Foi o que dele nós escolhemos no sonho do nosso absoluto. Não penses para amanhã na urgência de seres agora. Mesmo logo à tarde é muito tarde. Tudo o que és em ti para seres, vê se o és neste instante. Porque antes e depois tudo é morte e insensatez. Não esperes, sê agora. Lê os jornais. O futuro é o embrulho que fizeres com eles ou o papel urgente da retrete quando não houver outro. "
20.4.09
Felizmente o nosso espírito é livre
Fotografia de Lynda Logan, Paris, 2001.
19.4.09
Cheguei de visita ao poeta
18.4.09
Mas até a isso se sobrevive ...
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Há estas coisas terríveis na vida: a condenação, a morte dos que amamos e quando temos que matar o amor que sentimos. Mas até a isto, por vezes, se sobrevive.
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17.4.09
Nunca é tarde demais
.(para a personagem Rose (Sihame Haddad) do filme Caramel de Nadine Labaki )
15.4.09
Winds of Change
But the march continued anyway. About 300 Afghan women, facing an angry throng three times larger than their own, walked the streets of the capital on Wednesday to demand that Parliament repeal a new law that introduces a range of Taliban-like restrictions on women, and permits, among other things, marital rape. (...)
O essencial e o secundário
Grace Kelly, © Edward Quinn Archive13.4.09
12.4.09
Qualquer coisa de paz
11.4.09
Ser a excepção

9.4.09
8.4.09
New York, New York ... it's a wonderful town
Frank Sinatra, Gene kelly and Jules Munchin
On the Town, 1949, Musical com composições de Leonard Bernstein e letras de Adolph Green e Betty Comden
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7.4.09
Ver o Outro
5.4.09
Podemos acreditar?
É preciso falar de política quando ela cumpre duas das suas funções mais importantes: dar esperança, propor soluções. É nesta linha que se enquadram algumas intenções que Barak Obama apresentou hoje em Praga, a ler neste artigo .Torre Eiffel, 120 anos
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4.4.09
To Think of Time
3.4.09
Despertar a ausência
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2.4.09
Roma, cidade eterna
Como eterno pode ser o breve, a construção de um desejo, o silêncio
Como eterno pode ser o mundo das coisas que amámos sem saber
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31.3.09
Los Chalchaleros - Chacarera De Un Triste
Para que quiero vivir
Con el corazón desecho
Para que quiero la vida
Después de lo que me has hecho.
Yo te dí mi corazón
El tuyo vos me entregaste
Con engaños hacia el mío
Prenda lo despedazaste.
Hay porque fuiste tan cruel
Si tu franqueza esperaba
Porque jugaste conmigo
Si te idolatraba
Yo del mundo olvidé
Desengaños y amarguras
Pero lo que vos me hiciste
Prenda en mi alma perdura.
No hay remedio ya lo sé
Para que voy a buscarlo
Tan desecho tengo el alma
Que inutil será ...
Seguí guitarra seguí
Seguí como yo llorando
Compañera hasta la muerte
Seguí mi alma consolando.
Cantando me pasarée
Muy triste esta chacarera
Pueda ser de que me alegre
En el instante en que muera.
Terras do fim do mundo
O fim do mundo é onde a terra acaba e com ela a possibilidade de uma sobrevivência humana continuada. É aonde, um dia, todos gostaríamos de ir. O "fim do mundo" guarda a chave do que nos ultrapassa. Ali chegados, um outro lugar mais longínquo nasce no olhar, na imaginação. Porque não concebemos um fim nem um princípio. Somos filhos do que já existe. Fica-se entre a grandeza e o aprisionamento da Terra, ideia tão clara e tão própria ao pensamento humano. 30.3.09
Homens (4)
29.3.09
Não tenho certezas
Não tenho certezas, mas dúvidas. Não tenho respostas, mas perguntas.
Não tenho pena, mas saudade. Não espero por nada, mas posso dar tudo.
Acredito somente no amor.
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Só o que sentimos é nosso, nada mais
Quanto mais os anos passam, mais frágeis ficamos. E quanto mais nos expomos à vida, aos outros, menos resistências guardamos. Talvez por sabermos que à medida que a vida avança decrescem as oportunidades de viver algo de maior do que a simples existência diária.
Começa a haver o sentido da perda que por vezes fala mais alto do que o risco do provento imediato. Mas a resignação à existência numa vida diária de tarefas tem algo de profundamente triste, mas também uma certa nobreza própria aos que se não encaram como crença, aos que se amam a si mesmos apenas o suficiente. Os que sabem disto, vão então procurar o essencial na simplicidade, nos pequenos detalhes e aprendem que a matéria não é nada, "que o essencial é invisível para os olhos". Porque só o que sentimos é nosso, nada mais.
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