30.5.09

Os dias bons

Marilyn Monroe, praia de Long Island, N.Y., 1949, fotografia de Andre De Dienes

28.5.09

Moon River

Moon River, wider than a mile,
I'm crossing you in style some day.
Oh, dream maker, you heart breaker,
wherever you're going I'm going your way.
Two drifters off to see the world.
There's such a lot of world to see.
We're after the same rainbow's end-
waiting 'round the bend,
my huckleberry friend,
Moon River and me.

Letra de Johnny Mercer, Música de Henry Mancini

Silêncio

pintura de Joseph M. W. Turner, Sun Setting over a Lake, 1840
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Às vezes pesa o silêncio como uma grande pedra que entrou na nossa casa e nos deixa sem espaço. Mas sabemos que aquela pedra é talvez o que está mais próximo de nós, naquele momento, como uma extensão. Nesses dias, todos os barulhos, todas as vozes, todas as músicas nos agridem. Tentamos recordar os dias em que o silêncio é uma grande benção e o nosso peito está livre e desimpedido; esses dias em que o respirar nos une a qualquer coisa maior, que flui. Tentamos recuperar espaço, no nosso abrigo, até que lá fora parem os sons da guerra. E haverá uma manhã em que o dia conseguirá entrar em nós como uma claridade para que prossigamos lá fora como que renascidos, prontos para começar a partir de um chão-zero.
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27.5.09

Os dias bons

na fotografia, Rita Hayworth



26.5.09

Deslizar tranquilamente


A morte é apenas uma consequência da nossa maneira de viver. Vivemos de pensamento em pensamento, de sensação em sensação. Os nossos pensamentos e as nossas sensações não correm tranquilamente como um rio, «ocorrem-nos», caem em nós como pedras. Se te observares bem, sentirás que a alma não é algo que vai mudando de cor em gradações progressivas, mas que os pensamentos saltam dela como algarismos saindo de um buraco negro. Neste momento tens um pensamento ou uma sensação, e no seguinte aparece outro, diferente, como que saído do nada. Se deres atenção, até podes sentir o instante entre dois pensamentos, quando tudo se torna negro. Esse instante, uma vez apreendido, é para nós o mesmo que a morte.
Pois a nossa vida resume-se a definir marcos e a saltar de um para o outro, diariamente, passando por milhares de instantes de morte. De certo modo, vivemos apenas nos pontos de repouso. É por isso que temos esse medo ridículo da morte irreversível, porque ela é, em absoluto, o lugar sem marcos, o abismo insondável em que caímos. Na verdade, ela é a negação absoluta daquela maneira de viver. Mas isto só é assim quando visto da perspectiva desta vida, apenas para aqueles que não aprenderam a sentir-se de outro modo, a não ser de instante em instante. Chamo a isso o mal saltitante, e o segredo está apenas em superá-lo. Temos de despertar em nós a sensação de que a vida é algo que desliza tranquilamente. No momento em que isso acontecer, estamos tão próximos da morte como da vida. Já não vivemos - à luz dos nossos conceitos terrenos -, mas também já não podemos morrer, pois com a vida superámos também a morte. É o momento da imortalidade, o momento em que a alma sai da estreiteza do nosso cérebro para entrar nos maravilhosos jardins da sua vida.

Robert Musil, in O Jovem Torless

25.5.09

Um lugar assim

Talvez todos queiramos um dia viver um amor sem tempo e sem lugar definidos. Um amor sem passado nem futuro, onde cada momento de encontro transborde vida, exaltação. Um amor que não pergunte, nem responda. Um amor que seja apenas um breve voo, a inconstância das dunas, suave e tórrido como o sol. Talvez nesse lugar indefinido se cumpra apenas a essência das coisas, ou seja não as rosas, mas a ideia e o perfume das rosas, não o oceano, mas a força e a espuma do mar. O mais difícil é aceitar que essa exuberância ter-se-á de se viver como quem vive uma estação e não mais do que isso, senão tudo se concretiza e perde.

As novas espécies



As novas espécies...

23.5.09

Johnny Guitar, o filme da sua vida


Para si, João Bénard da Costa, um homem que aceitou a grandeza da ilusão, fez disso o seu modo de vida e compreendeu que isso é quase tudo o que nós somos

20.5.09

Os dias bons

na fotografia Ava Gardner
© Sunset Boulevard/Corbis


A Natureza Subjectiva do Tempo


"O tempo, tal como o espaço, é uma forma pura da intuição ou percepção sensível. É a condição de toda a percepção activa imediata, e também de tudo o que é percepcionado, isto é, de toda a experiência e de tudo o que é experimentado. A natureza é feita de tempo e de espaço, e é um processo. Quando salientamos o seu aspecto espacial, estamos conscientes da sua natureza objectiva; quando salientamos o seu aspecto temporal, tornamo-nos conscientes da sua natureza subjectiva. Tal como a percepcionamos, a natureza é um processo de devir infindável e contínuo. As coisas chegam e partem no tempo, mas são também temporais - o tempo é o seu modo de existência. "
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Georg Hegel (1770-1831) , in Enciclopédia das Ciências Filosóficas

19.5.09

Sapucaia

Mesmo fora do contexto, nada lhe pode tirar a sua beleza.
Fotografia de Ricardo Lima

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Dizemos que não procuramos o amor

Dizemos que não procuramos um amor. É mentira, é claro que procuramos o amor. Só que como tememos já não o encontrar, temos a tendência para enumerar aquilo que nos faz falta. Então dizemos que queremos encontrar alguém que se encaixe nas nossas "faltas". Como se a nossa vida não se alterasse nem um cêntimetro e pudessemos ainda preencher os nossos vazios. Mas falaremos nós de pessoas reais ou de um adorno que podemos usar e disfrutar quando nos apetece. É arrepiante pensar que, também no amor, as pessoas possam existir na vida umas das outras no contexto do útil. Quando procuramos encontrar alguém que obedeça às nossas "regras", às nossas "faltas", ao nosso "tipo", estamos a afastar por completo a mais simples linguagem do amor que é a da descoberta e do encontro. Quem tenta encontrar pessoas com o mesmo movimento com que se procura um objecto, já envelheceu para o amor ou nunca soube que ele é coisa viva, inesperada, por isso, simultâneamente volúvel e constante.
Talvez até não sejamos a nós a encontrá-lo, é o amor encontra.

17.5.09

saudade e esperança


Vi recentemente o fime "A Troca" de Clint Eastwood: magnífico, como sempre são os filmes de Clint. E esta música também é da sua autoria.

15.5.09

Amália Hoje


Se uma gaivota viesse
trazer-me o céu de Lisboa
no desenho que fizesse,
nesse céu onde o olhar
é uma asa que não voa,
esmorece e cai no mar.

Que perfeito coração
no meu peito bateria,
meu amor na tua mão,
nessa mão onde cabia
perfeito o meu coração.

Se um português marinheiro,
dos sete mares andarilho,
fosse quem sabe o primeiro
a contar-me o que inventasse,
se um olhar de novo brilho
no meu olhar se enlaçasse.

Que perfeito coração
no meu peito bateria,
meu amor na tua mão,
nessa mão onde cabia
perfeito o meu coração.

Se ao dizer adeus à vida
as aves todas do céu,
me dessem na despedida
o teu olhar derradeiro,
esse olhar que era só teu,
amor que foste o primeiro.

Que perfeito coração
no meu peito morreria,
meu amor na tua mão,
nessa mão onde perfeito
bateu o meu coração.

Poema "Gaivota" de Alexandre O' Neil

14.5.09

Navegar


Saber transmitir a verdade


"É bem possível dizer a verdade e não ser verdadeiro ou não ter uma relação verdadeira. E isto acontece mais do que se pensa. Quando não atendo à condição do outro, à sua sensibilidade, linguagem, idade, etc., posso dizer tudo certo e o outro ficar mais longe e mais desconfiado, e a relação não ser humana e verdadeira. A verdade humana é ser construtivo na relação. Da verdade lógica também os computadores são capazes..."

(Padre) Vasco Pinto de Magalhães in Não Há Soluções, Há Caminhos
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12.5.09

Queremos simplesmente encontrar

Somos almas tão simples. Há, talvez, uma semelhança tão grande no que todos queremos da vida. E, no entanto, a complexidade da interpretação, o cruzamento da memória, a forma como vivemos as emoções e os sentimentos deixam-nos à deriva, à procura de um caminho onde tudo isso faça sentido. Queremos encontrar a grandeza da simplicidade onde a nossa árvore cresça harmoniosamente. Queremos simplesmente encontrar. Queremos esta coisa antiga, esta coisa de espécie: dar um sentido às nossas acções, amar e ser amados. Mas aqui estamos, enredados num sistema que nos pode afastar cada vez mais da simplicidade e estimula a incerteza, o medo de ousar, de acreditar, de ter um pensamento próprio.
Há um desajuste entre a simplicidade da nossa alma e a forma como por vezes a vida se nos apresenta. É por isso que valorizamos tanto as relações humanas. É no encontro das sensibilidades, na franqueza das palavras, na partilha de saberes, no amor e na amizade que reside aquilo que de mais fundamental existe ao ser humano. São essas as ilhas de luz na nossa memória. É essencialmente isso que nos ilumina o caminho.
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10.5.09

I Go To Sleep


Sia - I Go To Sleep (música copiada de um conhecido Blogue...)
ah, e é de referenciar que se trata de uma música dos anos 60 interpretada por Cher, The Pretenders...

Reinventar

Por mais que nos preparemos, por mais que evitemos repetir nos meus erros, por mais consciência que tenhamos, voltamos sempre às nossas "marcas", parecidas com os "marcadores genéticos". Queremos mudar o padrão, mas parece que o padrão só pode alguma vez ser alterado se do exterior chegar o desconhecido, uma nova forma, um novo nome. Talvez esse desconhecido nos obrigue a ser criativos, a buscar novas formas de interpretar e passo a passo consigamo-nos reinventar e avançar dentro do nosso mundo.

Céu

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Como não tenho máquina fotográfica, tenho que vos descrever o magnífico céu deste final de tarde:
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Fim de tarde de nuvens, como flocos de neve em labaredas alinhados em estrada para Oeste. Ou talvez como asas incendiadas pelo sol-pôr, voando sobre a costa.
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Conseguem imaginar?

7.5.09

White As Diamonds

(...)
some hearts are ghosts settling down in dark waters
just as silt grows heavy and drowns with the stones

I've known mornings
white as diamonds
silent from a night so cold
such a stillness
calm as the owl glides
our lives are buried in snow
(...)

Alela Diane canta White As Diamonds

altruísmo # egoísmo


Estamos sempre à procura do meio termo, um equilíbrio no poço das nossas imperfeições. É sempre essa a tentativa, de modo a harmonizar um pouco a desordem própria à condição humana. Mas a noção de harmonia estabelece-se sempre, assim como qualquer energia, numa lógica de troca. Fica assim presente a ideia de que mais do que nos centrarmos num só ponto, é bem mais importante concentrarmo-nos no todo e por conseguinte relativizar a importância dos pontos. Na nossa extrema importância para os que gostam de nós, o que somos no contexto do universo? O tudo e o quase nada ? Sendo o "tudo" tão importante como o "quase nada".
Há nestes pensamentos uma noção tão simples, mas tão essencial: a importância do altruísmo e do desprendimento. Duas noções que se contrapõem a um estar que tem dado ao homem muita infelicidade: o egoísmo, que levado ao extremo incapacita o homem de amar e respeitar os outros.

6.5.09

Os Portugueses

Não resisto a mencionar também aqui o texto de Alberto Pimenta sobre os Portugueses. Este é um extracto. Se quiserem ler o texto completo cliquem Aqui .
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"OS PORTUGUESES não formam uma sociedade porque não são sócios uns dos outros. Tomemos os exemplos mais corriqueiros. Na cidade velha, vai-se pela rua e pode-se apanhar com sacos de migas de pão ralado, atirados aos pombos, na cabeça. E a rua está cheia de cagadelas de cão, coisa que não se vê em mais cidade nenhuma, porque cada um entende que o espaço público se pode sujar à vontade. Lisboa é habitada por uma horda que usa fato e gravata e anda de automóvel, mas que não chegou sequer ao patamar mínimo de civilização urbana. Começa-se sempre de cima para baixo. A Lisboa 94, com a sua falta de ideia, fez várias coisas em cima sem haver nada em baixo, confundiu arte com cultura. A cultura começa nas ruas onde se pode andar, no ambiente cuidado, nos jardins tratados, que não existem.

Há um total desprezo do próximo, uma falta de noção dos direitos e deveres urbanos civilizacionais. Soube agora de um caso que se passa num prédio normal do centro da cidade. Há alguém que guarda a moto do filho de família no patamar entre o terceiro e o quarto andares e, quando Ihe vão dizer que não o pode fazer, essa gente que é licenciada fecha a porta, dizendo: «A moto é minha, eu faço o que eu quero!» Tal e qual como o sapateiro que bate no filho e diz: «O filho é meu, eu faço o que quero!». É a sociedade do «salve-se quem puder». A maior parte das discussões que se geram em bichas, em lugares públicos onde se reclama um direito, resulta da falta de noção muito exacta que qualquer alemão, francês ou italiano tem dos seus direitos e deveres. Aqui é tudo uma «questão particular». Passa a não ser uma sociedade organizada mas um clã. É simpático, de repente, encontrarmos uma grande humanidade e intimidade onde menos esperávamos. Sabe bem mas o preço é caro, implica um dia-a-dia desgastante, onde tudo funciona improvisada e desastradamente. Nem se pode andar pelas ruas porque os carros ocupam os passeios. São insignificâncias que vão criando e alimentando quotidianamente um mal-estar, um cansaço, uma perda de energia. Quando ando pela Baixa duas ou três horas, começo a sentir um esgotamento de tipo espiritual, ao contrário do que acontece em qualquer cidade europeia em que fico mais alerta, enérgico e cheio de ideias. Aqui, começo a arrastar os pés e a andar em passo de procissão, que é como fazem os portugueses, um pouco vergados, dai a metáfora de trazer um peso nas costas. Há, de facto, um peso qualquer que está lá dentro, nas costas do espírito. Este país é como uma eterna pequena constipação." (...)
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publicado no Diário de Notícias em Janeiro de 1995

Ser Turista

Ser turista é fugir da responsabilidade. Os erros e os defeitos não se colam em nós como em casa. Somos capazes de vaguear por continentes e línguas, suspendendo a actividade do pensamento lógico. O turismo é a marcha da imbecilidade. Contam que sejamos imbecis. Todo o mecanismo do país hospedeiro está adaptado aos viajantes que se comportam de um modo imbecil. Andamos às voltas, aturdidos, olhando de esguelha para mapas desdobrados. Não sabemos falar com as pessoas, ir a lado nenhum, quanto vale o dinheiro, que horas são, o que comer ou como o comer. Ser-se imbecil é o padrão, o nível e a norma. Podemos continuar a viver nestas condições durante semanas e meses, sem censuras nem consequências terríveis. Tal como a outros milhares, são-nos concedidas imunidades e amplas liberdades. Somos um exército de loucos, usando roupas de poliester de cores vivas, montando camelos, tirando fotografias uns aos outros, fatigados, desintéricos, sedentos. Não temos mais nada em que pensar senão no próximo acontecimento informe.
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Don DeLillo, in Os Nomes

5.5.09

Nós perante a paisagem

Pintura de Paul Cézanne (1839-1906), Paysage a Auvers, 1873
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As paisagens dão ao nosso espírito uma ideia de infinitude, uma certeza exterior que nos suporta. Dizer de um homem é dizer as paisagens que o habitam, os lugares onde cresceu, os sítios que avistou. Dizer de um homem é conhecer como as paisagens se foram alterando no seu caminho. É saber se os lugares foram cuidados ou abandonados, é saber da acção dos outros homens nesses lugares.
Na paisagem natural não há lugares abandonados, há lugares recôndidos. Só na paisagem que alguma vez esteve sob acção humana existem locais abondonados. É a nossa acção que cria essa noção de abandono. A partir do momento em que agimos sobre um lugar temos uma certa responsabilidade sobre ele, temos que o cuidar, criar, encaminhar... como aliás com quase tudo na vida ...
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3.5.09

o perfume dela, por exemplo ...

imagem do filme Aurora de Friedrich Murnau, 1927
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Eis um efeito que me será contestado, e que só apresento aos homens que, digamos, são bastante infelizes para terem amado com paixão durante longos anos, dum amor contrariado por obstáculos invencíveis: A vista de tudo o que é extremamente belo, tanto na natureza como nas artes, traz-nos a recordação do que amamos, com a rapidez de um relâmpago. É que, pelo processo do ramo de árvore guarnecido de diamantes da mina de Salzburgo, tudo o que no mundo é belo e sublime faz parte da beleza do que amamos, e esta visão imprevista da felicidade enche-nos os olhos de lágrimas num instante. É assim que o amor do belo e o amor se dão vida um ao outro. Uma das infelicidades da vida é que a ventura de ver a quem amamos e de lhe falar não deixa recordações distintas. Aparentemente, a alma está demasiado perturbada pelas suas emoções para poder prestar atenção ao que as causa ou as acompanha. Transforma-se na própria sensação. É talvez porque estes prazeres não se podem renovar sempre que queremos, por simples força de vontade, que se renovam com tanta força, desde que um objecto qualquer nos venha tirar da meditação consagrada à mulher que amamos, e lembrar-no-la mais vivamente por meio de uma nova sugestão (o perfume dela, por exemplo).
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Stendhal (1783-1842) in Do Amor

30.4.09

The Good Life


Oh, the good life, full of fun seems to be the ideal
Hum, the good life lets you hide all the sadness you feel
You won't really fall in love for you can't take the chance
So please be honest with yourself, don't try to fake romance

It's the good life to be free and explore the unknown
Like the heartaches when you learn you must face them alone
Please remember I still want you, and in case you wonder why
Well, just wake up, kiss the good life goodbye

The Good Life por Tony Bennett

O Beijo

Breakfast at Tiffany's (1961)
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... é que fora do cinema, no mundo real, a nossa vida continua depois do tão esperado beijo ...

Jantar com amigos

cena do filme Breakfast at Tiffany's (1961)


É bom receber os amigos para jantar, vê-los ali, sentados à nossa mesa. Brilha a casa, a sala, quando os amigos a habitam. Quando saiem e se despedem, a sua presença fica ainda por aqui e a casa fica menos vazia.
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28.4.09

Makin' Whoopee ...


Michelle Pfeiffer, The Fabulous Baker Boys, 1989

É no dar que a solidão se esbate

New York, Union Square, 1910 in Old Picture of the Day
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Tudo fazemos para nos aproximarmos, para nos organizarmos. Enfim, as diligências necessárias para a sobrevivência e continuidade da acção da espécie humana. Aprendemos a valorizar o único e a criar na diversidade. Precisamos de entrar no labirinto das formas e das ideias, como quem se afasta da multidão para pensá-la. Sem esse movimento, estagnamos, perdemo-nos.
Mas o sentido da unicidade alberga em si, por consequência, o da solidão. Sabemos que o único caminho possível é o da aproximação. Porém, a solidão própria de cada homem, se por um lado quer acercá-lo dos outros porque sem eles não há sentido, quer ao mesmo tempo afasta-se porque se sente desolada na sua unicidade. É por isso que talvez seja na experiência de "dar" que conseguimos que essa solidão se esbata. Talvez seja esse o sentido maior.
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27.4.09

O bem de sermos diferentes

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A pluraridade humana, condição básica da acção e do discurso, tem o duplo aspecto da igualdade e diferença. Se não fossem iguais, os homens seriam incapazes de compreender-se entre si e aos seus antepassados, ou de fazer planos para o futuro e prever as necessidades das gerações vindouras. Se não fossem diferentes, se cada ser humano não diferisse de todos os que existiram, existem ou virão a existir, os homens não precisariam do discurso ou da acção para se fazerem entender. Com simples sinais e sons poderiam comunicar as suas necessidades imediatas e idênticas.
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Hannah Arendt, in A Condição Humana, 1958

26.4.09

Da Noite

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Venho da noite concreta que se desvanece branca em tanta realidade. Venho da noite abstracta que cresce silenciosamente, nocturnamente como as rosas. Venho da noite decifrada pelo coração e por estrelas a crescer. Venho da noite privada que espera atrás da janela fechada. Venho de noites que pressentem o vazio e que o recebem como a uma visita. Venho de uma ou outra noite singular, rompendo pelo dia como um grande botão de sol. Venho das noites que chamaram um só nome e no nome desistiram devagar. Venho da noite que canta e se ilude.


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25.4.09

25 de Abril ... "A Poesia está na Rua" era esta a esperança

. Cartaz de Vieira da Silva, 1975

Esta é a madrugada que eu esperava
O dia inicial inteiro e limpo
Onde emergimos da noite e do silêncio
E livres habitamos a substância do tempo
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Sophia de Mello Breyner Andresen

23.4.09

Da Liberdade


Nunca acreditei que a liberdade do homem consiste em fazer o que quer, mas sim em nunca fazer o que não quer, e foi essa liberdade que sempre reclamei, que muitas vezes conservei, e me tornou mais escandaloso aos olhos dos meus contemporâneos. Porque eles, activos, inquietos, ambiciosos, detestando a liberdade nos outros e não a querendo para si próprios, desde que por vezes façam a sua vontade, ou melhor, desde que dominem a de outrem, obrigam-se durante toda a sua vida a fazer o que lhes repugna, e não descuram todo e qualquer servilismo que lhes permita dominar.

Jean-Jacques Rousseau, in Os Devaneios do Caminhante Solitário, 1776
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Dia Mundial do Livro e dos Direitos do Autor

Pintura de Jean-Honoré Fragonard (1732-1806), A Leitora, 1776

22.4.09

Não penses para amanhã

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"Não penses para amanhã. Não lembres o que foi de ontem. A memória teve o seu tempo quando foi tempo de alguma coisa durar. Mas tudo hoje é tão efémero. Mesmo o que se pensa para amanhã é para já ter sido, que é o que desejamos que seja logo que for. É o tempo de Deus que não tem futuro nem passado. Foi o que dele nós escolhemos no sonho do nosso absoluto. Não penses para amanhã na urgência de seres agora. Mesmo logo à tarde é muito tarde. Tudo o que és em ti para seres, vê se o és neste instante. Porque antes e depois tudo é morte e insensatez. Não esperes, sê agora. Lê os jornais. O futuro é o embrulho que fizeres com eles ou o papel urgente da retrete quando não houver outro. "

Vergílio Ferreira , in Escrever
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20.4.09

Felizmente o nosso espírito é livre

Fotografia de Lynda Logan, Paris, 2001
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Felizmente o nosso espírito é livre, imprevisível, talvez como a própria Natureza. Mesmo durante um trabalho absorvente, mesmo rodeados de um exterior inóspito, passa pelo nosso pensamento, como nuvem, um rosto que gostamos, uma lembrança, uma paisagem longínqua. Algo de volátil, suave e ao mesmo tempo denso e precioso. Algo que não controlamos, mas que mantém viva e única uma essência antiga. Assim como a nuvem revela o estado do tempo, esse pequeno voo relembra quem somos, o que nos prende, o que ficou.
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Avançar quando amanhece


Wolfgang Amadeus Mozart (27.01.1756 - 05.12.1791), Piano Concerto No. 23

19.4.09

Cheguei de visita ao poeta

Rio Neva, São Petersburgo

Cheguei de visita ao poeta.
Meio dia em ponto. Domingo.
Silêncio na ampla sala
Além das janelas frio

E o sol cor de framboesa
Sobre farrapos gris de fumo ...
E o dono olha calado
Para mim limpidamente!
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São tais os olhos que tem
Que ninguém os deve esquecer,
Para mim é melhor, à cautela,
De modo algum os fitar.

Mas será lembrado o diálogo
O dia fumoso, o domingo
Na casa alta e cinzenta
Às portas do mar do Neva.
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Anna Akhmatova, Janeiro de 1914
dedicado ao poeta Aleksandr Blok

18.4.09

Dancing


Tu és a casa, é isso que tu és, a casa, Silvia...

Mas até a isso se sobrevive ...

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Há estas coisas terríveis na vida: a condenação, a morte dos que amamos e quando temos que matar o amor que sentimos. Mas até a isto, por vezes, se sobrevive.

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17.4.09

Nunca é tarde demais

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O que é que define em nós "o ser tarde demais"? Que melancolia é essa que vem ainda como promessa de asa e desalenta no último momento? Que nome tem a brisa que chega com uma doçura, um movimento de quase dança e se recusa como a dura suavidade de um punhal? Que gravidade é essa que impede a mão que se esforça de alcançar o voo? E esmorece a mão, o olhar e o mundo que os envolve esmorece como a sombra do que ficou por dizer. Que som tem esse passo que se desencontra do devir e entra perdido na apatia das rochas? Eu quero dizer que nunca é tarde demais, mas como dizer?
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(para a personagem Rose (Sihame Haddad) do filme Caramel de Nadine Labaki )
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15.4.09

Winds of Change

Robert Nickelsberg/Getty Images for The New York Times
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KABUL, Afghanistan — The young women stepped off the bus and moved toward the protest march just beginning on the other side of the street when they were spotted by a mob of men.
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“Get out of here, you whores!” the men shouted. “Get out!”
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The women scattered as the men moved in.
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“We want our rights!” one of the women shouted, turning to face them. “We want equality!”
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The women ran to the bus and dove inside as it rumbled away, with the men smashing the taillights and banging on the sides.
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“Whores!”
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But the march continued anyway. About 300 Afghan women, facing an angry throng three times larger than their own, walked the streets of the capital on Wednesday to demand that Parliament repeal a new law that introduces a range of Taliban-like restrictions on women, and permits, among other things, marital rape. (...)
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Para ler todo o artigo e visionar o video: Aqui
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Fonte: The New York Times
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