22.6.10

A Racionalidade Irracional

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Eu digo muitas vezes que o instinto serve melhor os animais do que a razão a nossa espécie. E o instinto serve melhor os animais porque é conservador, defende a vida. Se um animal come outro, come-o porque tem de comer, porque tem de viver; mas quando assistimos a cenas de lutas terríveis entre animais, o leão que persegue a gazela e que a morde e que a mata e que a devora, parece que o nosso coração sensível dirá «que coisa tão cruel». Não: quem se comporta com crueldade é o homem, não é o animal, aquilo não é crueldade; o animal não tortura, é o homem que tortura. Então o que eu critico é o comportamento do ser humano, um ser dotado de razão, razão disciplinadora, organizadora, mantenedora da vida, que deveria sê-lo e que não o é; o que eu critico é a facilidade com que o ser humano se corrompe, com que se torna maligno.
Aquela ideia que temos da esperança nas crianças, nos meninos e nas meninas pequenas, a ideia de que são seres aparentemente maravilhosos, de olhares puros, relativamente a essa ideia eu digo: pois sim, é tudo muito bonito, são de facto muito simpáticos, são adoráveis, mas deixemos que cresçam para sabermos quem realmente são. E quando crescem, sabemos que infelizmente muitas dessas inocentes crianças vão modificar-se. E por culpa de quê? É a sociedade a única responsável? Há questões de ordem hereditária? O que é que se passa dentro da cabeça das pessoas para serem uma coisa e passarem a ser outra? Uma sociedade que instituiu, como valores a perseguir, esses que nós sabemos, o lucro, o êxito, o triunfo sobre o outro e todas estas coisas, essa sociedade coloca as pessoas numa situação em que acabam por pensar (se é que o dizem e não se limitam a agir) que todos os meios são bons para se alcançar aquilo que se quer. Falámos muito ao longo destes últimos anos (e felizmente continuamos a falar) dos direitos humanos; simplesmente deixámos de falar de uma coisa muito simples, que são os deveres humanos, que são sempre deveres em relação aos outros, sobretudo. E é essa indiferença em relação ao outro, essa espécie de desprezo do outro, que eu me pergunto se tem algum sentido numa situação ou no quadro de existência de uma espécie que se diz racional. Isso, de facto, não posso entender, é uma das minhas grandes angústias.
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José Saramago in Diálogos com José Saramago

18.6.10

José Saramago

José Saramago ( 16-11-1922 / 18-06-2010 )

Os amantes sem dinheiro

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Tinham o rosto aberto a quem passava.
Tinham lendas e mitos
e frio no coração.
. Tinham jardins onde a lua passeava
de mãos dadas com a água
e um anjo de pedra por irmão.

Tinham como toda a gente
o milagre de cada dia
escorrendo pelos telhados;
e olhos de oiro
onde ardiam
os sonhos mais tresmalhados.
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Tinham fome e sede como os bichos,
e silêncio
à roda dos seus passos.
Mas a cada gesto que faziam
um pássaro nascia dos seus dedos
e deslumbrado penetrava nos espaços.
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Eugénio de Andrade (1923-2005)
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17.6.10

Os Dias Bons


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Intimidade


Se dois homens ou duas mulheres têm de partilhar por algum tempo o mesmo espaço (em viagem, numa carruagem-cama ou numa pensão superlotada), não é raro nascerem nessas situações amizades muito singulares. Cada um tem a sua maneira especial de lavar os dentes, de se curvar para descalçar os sapatos ou de encolher as pernas para dormir. A roupa interior, e o resto do vestuário, embora semelhantes, revelam, no pormenor, inúmeras pequenas diferenças a um olhar atento. A princípio - provavelmente devido ao individualismo excessivo do modo de vida actual - existe qualquer coisa como uma resistência semelhante a uma leve repugnância e que rejeita uma aproximação maior, uma ofensa contra a própria personalidade, até ao momento em que essa resistência é superada para dar lugar a uma comunidade que revela uma estranha origem, como uma cicatriz. Muitas pessoas mostram-se, depois de uma tal transformação, mais alegres do que normalmente são; a maior parte mais inofensivas; uma boa parte delas mais faladoras; e quase todas mais amáveis. A sua personalidade mudou, quase se poderia dizer que foi trocada, subcutaneamente, por outra, menos marcada: no lugar do eu surge o primeiro indício de um nós, claramente sentido como um mal-estar e uma diminuição, mas, no fundo, irresistível.
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Robert Musil (1880-1942) in O Homem sem Qualidades


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14.6.10

13.6.10

Beijo

pormenor de Le Baiser, Auguste Rodin, 1882
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Era o beijo a sair da pedra, a voar
na delicada neve que se desfaz a florir
Era o beijo a prender o fugitivo segundo
que esmorece na espuma da próxima onda
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MJB

26.5.10

Never Land Days


Inquietude

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Há ainda mais inquietude no ar. Parece que se está no começo de uma nova era, no levantar de uma onda, numa grande mudança. Mas talvez seja apenas a inquietude de que tudo nos escapa, que estamos realmente suspensos, à deriva no espaço, sós ...

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21.5.10

"Vintage photographic postcard, circa 1907, uncirculated, divided back,
published by Berthaud Frères (B.F.), Paris, France"

20.5.10

O Comboio

Mário Eloy (1900-1951)

19.5.10

Os Portugueses



.../...
A arte em Portugal não tem a ver com a vida. O museu e o espectáculo são coisas que se passam em lugares fechados, com horário e um culto feito em grande parte de snobismo e de obrigação social. Daí o grande desconforto dos artistas em Portugal, uma espécie de marcianos, porque aquilo que fazem não tem nada a ver com os interesses da sociedade. Em Itália. o cidadão mais humilde tem uma intuição, um conhecimento e uma veneração pela arte que aqui terá talvez o equivalente na veneração pela Nossa Senhora de Fátima. Até coincide porque é a veneração por um desconhecido, pelo que está para além da razão. Se não houvesse motivos exteriores, não creio que fizesse falta a quem quer que fosse ir a exposições de pintura, ao teatro ou à ópera.

Há um egoísmo perfeitamente catastrófico que caracteriza os portugueses. No seu dia-a-dia, desde que tenha resolvido o seu problemazinho e possa comer o seu bifinho com batatas fritas ou o seu bacalhauzinho, já tira dai um prazerzinho que o deixa satisfeito. O Eça usou todos esses diminutivos com razão, porque tudo é pequeno, da dimensão ao espírito. Satisfazem-se com pouco.

Outra característica dos portugueses é ter medo do risco, podem cair no ridículo, que fica muito mal. Ora para fazer grandes coisas, é preciso arriscar cair do trapézio. Mas os portugueses preferem trabalhar com rede ou então a um metro do chão. Os Descobrimentos foram uma necessidade porque essa gente que vinha do Norte do Pais, a cair de fome e a morrer pelo caminho, não tinha outra hipótese. E não esqueçamos os mercenários. Os relatos deixam-nos imaginar o tormento daquelas viagens, com doenças e sem comida, em condições de puro desespero. Depois, lá veio a mitificação histórica. Obviamente haveria alguns, poucos, a começar pelo infante D. Henrique, que teriam o seu projecto de alargar a Terra, de chegar a qualquer lado e de tirar lucro, que é o que faz correr o homem. O Camões diz textualmente, n’Os Lusíadas, que «nunca houve nação, nem bárbara, que prezasse tão pouco as artes como a portuguesa». E o padre António Vieira dizia, naquelas etimologias divertidas, que o mundo é mundo porque, por antífrase, é imundo tal como a Lusitânia se chama assim já que não deixa luzir ninguém por causa da inveja. E podíamos continuar com o Eça, com o António Nobre, com os que reflectiram porque tiveram oportunidade de comparar... (...).

Vivi na Alemanha muitos anos e pude constatar que o mito do amor ao trabalho dos Alemães é falso. Não gostam de trabalhar, mas sabem que e preciso. Por isso, fazem-no o mais eficientemente possível. Durante o trabalho, os alemães não conversam sobre futebol nem as alemãs falam de meninos, como aqui. E fora dele é tabu falar sobre isso. Ao contrário de Portugal, onde se passa o almoço a falar do trabalho, uma paranóia perfeita.
.../...

Alberto Pimenta (excertos - Diário de Notícias - Janeiro 1995)

13.5.10

Sociedade Recreativa

Correio dos Leitores - recebido por mail de Manuel do Ó Pereira

11.5.10

A Loucura é uma Destilação Decisiva


Nestes séculos, o escritor tem mantido uma conversa com a loucura. Podemos quase dizer que o escritor do século vinte aspira à loucura. Alguns conseguiram-no, evidentemente, e ocupam lugares especiais na nossa consideração. Para um escritor, a loucura é uma destilação decisiva do eu, uma edição decisiva. É o submergir das vozes enganadoras.

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Don DeLillo in Os Nomes

9.5.10


pintura de Peter Severin Krøyer (1851 - 1909), conhecido por P.S. Krøyer
"Summer Evening by Skagen's Beach"

8.5.10

Chove

pintura de Gustave Caillebotte (1848-1894)

6.5.10

Qual é a pergunta fundamental?

Vive-se o tempo de todos os tempos. O disco roda tão rápido que parece parado. Todas as cores nele impressas tornam-se brancas na velocidade. Desaba lentamente o castelo de cartão flutuante. As pessoas seguem-no com o olhar, expectantes. Qual é a pergunta fundamental? O que devo questionar agora? O que devo dizer? Viemos de tão longe. Chegámos de tão perto. Temos o mundo inteiro num pequeno fruto simplificado e ao mesmo tempo disperso, complexo, à deriva. Chegámos ao fim de uma era, mas afigura-se que chegámos tarde, porque o começo ou o recomeço de qualquer coisa parece não estar nas nossas mãos, mas algures. Para onde seguiremos? Está iminente um outro tempo mas não um novo tempo.
Mas temos que prosseguir, mesmo sem respostas. E ainda no campo de explosão, a vida segue, presa pelas pequenas coisas. A alegria que não quer morrer, a esperança no próximo passo, na nova descoberta. Aqui no mundo que temos, na vida que temos, cada um de nós.
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5.5.10

Os Dias Bons

Carl Sagan (1934 - 1996) segurando um modelo do planeta Marte, 1970'
(Fotografia de Hulton Archive/Getty Images)

4.5.10

Remember

Ingeborg Bachmann (1926-1973)

Sombras Rosas Sombras

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Debaixo de um céu estrangeiro
sombras rosas
sombras
por sobre terra estrangeira
entre rosas e sombras
dentro de uma água estrangeira
minha sombra
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Ingeborg Bachmann

Os Dias Bons

Florbela Espanca

2.5.10

Portugal, algumas as perguntas

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Será que vamos continuar à espera como quem espera pelos pais à porta da escola? Do que é que se espera? Será que é agora que saberemos o que fazer deste país? Saberemos quem somos? Saberemos encontrar o nosso lugar no mundo, no futuro? O que é isso de "cumprir Portugal"? Estamos sempre a repensar, sempre a começar, a adiar. De onde vem essa inabilidade para concretizar? Saberemos ser uma nação como uma árvore com nome, raiz, ramos, folhas e frutos? Saberemos nos harmonizar para não ruirmos?
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30.4.10

Os Dias Bons

Sir Arthur C Clarke na praia de Hikkaduwa , Sri Lanka
Fotografia de Rohan de Silva

28.4.10

Os nossos Eus



Esses eus de que somos feitos, sobrepostos como pratos empilhados nas mãos de um empregado de mesa, têm outros vínculos, outras simpatias, pequenas constituições e direitos próprios - chamem-lhes o que quiserem (e muitas destas coisas nem sequer têm nome) - de modo que um deles só comparece se chover, outro só numa sala de cortinados verdes, outro se Mrs. Jones não estiver presente, outro ainda se se lhe prometer um copo de vinho - e assim por diante; pois cada indivíduo poderá multiplicar, a partir da sua experiência pessoal, os diversos compromissos que os seus diversos eus estabelecerem consigo - e alguns são demasiado absurdos e ridículos para figurarem numa obra impressa.

Virginia Woolf (1882-1941) in Orlando

Francis Bacon, esse homem estranho que nos mostra o nosso estranho mundo

pintura de Francis Bacon (28 October 1909 – 28 April 1992)
Second Version of Triptych,1944

25.4.10

Os Dias Bons

25 de Abril de 1974 , na foto destaca-se o Capitão Salgueiro Maia, o herói do dia

21.4.10

A Tirania do Medo

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O nosso mundo vive demasiado sob a tirania do medo e insistir em mostrar-lhe os perigos que o ameaçam só pode conduzi-lo à apatia da desesperança. O contrário é que é preciso: criar motivos racionais de esperança, razões positivas de viver. Precisamos mais de sentimentos afirmativos do que de negativos. Se os afirmativos tomarem toda a amplitude que justifique um exame estritamente objectivo da nossa situação, os negativos desagregar-se-ão, perdendo a sua razão de ser. Mas se insistirmos em demasia nos negativos, nunca sairemos do desespero.
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Bertrand Russell (1872-1970) in A Última Oportunidade do Homem
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Ava


20.4.10

A Hora da Estrela

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(...)
Quanto a mim, só sou verdadeiro quando estou sozinho. Quando eu era pequeno pensava que de um momento para outro eu cairia para fora do mundo. Por que as nuvens não caem, já que tudo cai? É que a gravidade é menor que a força do ar que as levanta.Inteligente, não é? Sim, mas caem um dia em chuva.
(...)
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Clarice Lispector, 1977
(excerto retirado daqui )
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Clarice


Os dias bons

Praia da Arrifana, Aljezur

18.4.10

Os Dias Bons

São Torpes, Sines, Dezembro de 2009

16.4.10

Qualidades de Sentimento

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«Um charco», pensou, «dá-nos muitas vezes, e de forma mais intensa, a impressão de profundidade do que o oceano, pela simples razão de que a vivência dos charcos é muito mais frequente do que a dos oceanos: era, segundo ele, o que acontecia com o sentimento, e pela mesma razão os sentimentos mais banais passavam por ser os mais profundos. De facto, a preferência que se dá ao sentir, mais do que ao sentimento, que é a marca de todas as pessoas sensíveis às emoções, conduz, tal como o desejo de fazer sentir e de ser levado a sentir, comum a todas as instituições postas ao serviço do sentimento, a uma diminuição do nível e da essência do sentimento face à sua manifestação instantânea como estado de ordem pessoal, e finalmente àquela superficialidade, inibição e total insignificância para as quais não faltam exemplos.
«É natural que um ponto de vista como este», pensou Ulrich, completando a sua observação, «choque todos aqueles que se sentem bem nos seus sentimentos, como o galo nas suas penas, e que ainda por cima estejam convencidos de que a eternidade recomeça com cada "personalidade"!» Tinha a nítida percepção de estar perante um erro monstruoso, à dimensão de toda a humanidade, mas não conseguiu exprimir isso de maneira inteiramente satisfatória, uma vez que as implicações eram múltiplas e complexas.

Robert Musil (1880-1942) in O Homem sem Qualidades
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14.4.10

Os dias Bons

Navio Escola Sagres, Dia da Marinha em Sines, Maio de 2006



Acho tão Natural que não se Pense

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Acho tão natural que não se pense
Que me ponho a rir às vezes, sozinho,
Não sei bem de quê, mas é de qualquer cousa
Que tem que ver com haver gente que pensa ...

Que pensará o meu muro da minha sombra?
Pergunto-me às vezes isto até dar por mim
A perguntar-me cousas. . .
E então desagrado-me, e incomodo-me
Como se desse por mim com um pé dormente. . .

Que pensará isto de aquilo?
Nada pensa nada.
Terá a terra consciência das pedras e plantas que tem?
Se ela a tiver, que a tenha...
Que me importa isso a mim?
Se eu pensasse nessas cousas,
Deixaria de ver as árvores e as plantas
E deixava de ver a Terra,
Para ver só os meus pensamentos ...
Entristecia e ficava às escuras.
E assim, sem pensar tenho a Terra e o Céu.

Alberto Caeiro

11.4.10

Avec le temps...

Avec le temps...
Avec le temps, va, tout s'en va
On oublie le visage et l'on oublie la voix
Le coeur, quand ça bat plus, c'est pas la peine d'aller
Chercher plus loin, faut laisser faire et c'est très bien

Avec le temps...
Avec le temps, va, tout s'en va
L'autre qu'on adorait, qu'on cherchait sous la pluie
L'autre qu'on devinait au détour d'un regard
Entre les mots, entre les lignes et sous le fard
D'un serment maquillé qui s'en va faire sa nuit
Avec le temps tout s'évanouit

Avec le temps...
Avec le temps, va, tout s'en va
Même les plus chouettes souvenirs, ça, t'as une de ces gueules
A la gallerie j'farfouille dans les rayons d'la mort
Le samedi soir quand la tendresse s'en va toute seule

Avec le temps...
Avec le temps, va, tout s'en va
L'autre à qui l'on croyait pour un rhume, pour un rien
L'autre à qui l'on donnait du vent et des bijoux
Pour qui l'on eût vendu son âme pour quelques sous
Devant quoi l'on s'traînait comme traînent les chiens
Avec le temps, va, tout va bien

Avec le temps...
Avec le temps, va, tout s'en va
On oublie les passions et l'on oublie les voix
Qui vous disaient tout bas les mots des pauvres gens
Ne rentre pas trop tard, surtout ne prends pas froid

Avec le temps...
Avec le temps, va, tout s'en va
Et l'on se sent blanchi comme un cheval fourbu
Et l'on se sent glacé dans un lit de hasard
Et l'on se sent tout seul peut-être mais peinard
Et l'on se sent floué par les années perdues, alors vraiment
Avec le temps on n'aime plus


Léo Ferré

8.4.10

Os Dias Bons

Ava Gardner, 1942



7.4.10

Quando o Homem Quer

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Sim, o homem é o seu próprio fim. E é o seu único fim. Se quer ser qualquer coisa, tem de ser nesta vida. Agora sei, aliás, que embora conquistadores falem algumas vezes de vencer e de exceder, o que eles querem sempre dizer é «excederem-se». Suponho que sabem o que isto quer dizer. Em certos momentos, todos os homens se sentem iguais a um deus. É assim, pelo menos, que se diz. Mas isto vem do facto de eles terem sentido, num instante, a espantosa grandeza do espírito humano. Os conquistadores são somente aqueles homens que sentem a sua força, o bastante para terem a certeza de viver constantemente nessas alturas e na plena consciência dessa grandeza. É uma questão de aritmética, de mais ou de menos. Os conquistadores são os que podem mais. Mas não podem mais do que o próprio homem quando ele o quer. É por isso que eles nunca deixam o crisol humano, mergulhando no mais ardente da alma das revoluções.
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Albert Camus (1913-1960) in O Mito de Sísifo
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