5.7.10

in O Guardador de Águas


I

Não tenho bens de acontecimentos.
O que não sei fazer desconto nas palavras.
Entesouro frases. Por exemplo:
- Imagens são palavras que nos faltaram.
- Poesia é a ocupação da palavra pela Imagem.
- Poesia é a ocupação da Imagem pelo Ser.
Ai frases de pensar!
Pensar é uma pedreira. Estou sendo.
Me acho em petição de lata (frase encontrada no lixo)
Concluindo: há pessoas que se compõem de atos, ruídos, retratos.
Outras de palavras.
Poetas e tontos se compõem com palavras.


II

Todos os caminhos - nenhum caminho
Muitos caminhos - nenhum caminho
Nenhum caminho - a maldição dos poetas.



III

Chove torto no vão das árvores.
Chove nos pássaros e nas pedras.
O rio ficou de pé e me olha pelos vidros.
Alcanço com as mãos o cheiro dos telhados.
Crianças fugindo das águas
Se esconderam na casa.

Baratas passeiam nas formas de bolo...

A casa tem um dono em letras.

Agora ele está pensando -

no silêncio líquido
com que as águas escurecem as pedras...

Um tordo avisou que é Março.

.../...


Manoel de Barros

2.7.10

Vinil




O que será ( À flor da pele)

.
O que será que será
Que andam suspirando pelas alcovas
Que andam sussurando em versos e trovas
Que andam combinando no breu das tocas
Que anda nas cabeças, anda nas bocas
Que andam acendendo velas nos becos
Que estão falando alto pelos botecos
Que gritam nos mercados, que com certeza
Está na natureza, será que será
O que não tem certeza, nem nunca terá
O que não tem conserto, nem nunca terá
O que não tem tamanho
.
O que será que será
Que vive nas idéias desses amantes
Que cantam os poetas mais delirantes
Que juram os profetas embriagados
Que está na romaria dos mutilados
Que está na fantasia dos infelizes
Que está no dia a dia das meretrizes
No plano dos bandidos, dos desvalidos
Em todos os sentidos, será que será
O que não tem decência, nem nunca terá
O que não tem censura, nem nunca terá
O que não faz sentido
.
O que será que será
Que todos os avisos não vão evitar
Porque todos os risos vão desafiar
Porque todos os sinos irão repicar
Porque todos os hinos irão consagrar
E todos os meninos vão desembestar
E todos os destinos irão se encontrar
E o mesmo Padre Eterno que nunca foi lá
Olhando aquele inferno, vai abençoar
O que não tem governo, nem nunca terá
O que não tem vergonha nem nunca terá
O que não tem juízo
.
Chico Buarque, 1976

29.6.10

Os Dias Bons

Pedro Almodovar nas filmagens de Matador ,1985





28.6.10

Cesaria Evora - Cabo Verde

Para atravessar contigo o deserto do mundo



Para atravessar contigo o deserto do mundo
Para enfrentarmos juntos o terror da morte
Para ver a verdade para perder o medo
Ao lado dos teus passos caminhei

Por ti deixei meu reino meu segredo
Minha rápida noite meu silêncio
Minha pérola redonda e seu oriente
Meu espelho minha vida minha imagem
E abandonei os jardins do paraíso

Cá fora à luz sem véu do dia duro
Sem os espelhos vi que estava nua
E ao descampado se chamava tempo

Por isso com teus gestos me vestiste
E aprendi a viver em pleno vento

Sophia de Mello Breyner Andresen in Livro Sexto (1962)

25.6.10

Os Dias Bons

Pelé e Eusébio



A Arte de ser Feliz

.
Houve um tempo em que minha janela se abria sobre uma cidade que parecia ser feita de giz. Perto da janela havia um pequeno jardim quase seco. Era uma época de estiagem, de terra esfarelada, e o jardim parecia morto. Mas todas as manhãs vinha um pobre com um balde e, em silêncio, ia atirando com a mão umas gotas de água sobre as plantas. Não era uma rega: era uma espécie de aspersão ritual, para que o jardim não morresse. E eu olhava para as plantas, para o homem, para as gotas de água que caíam de seus dedos magros e meu coração ficava completamente feliz. Às vezes abro a janela e encontro o jasmineiro em flor. Outras vezes encontro nuvens espessas. Avisto crinças que vão para a escola. Pardais que pulam pelo muro. Gatos que abrem e fecham os olhos, sonhando com pardais. Borboletas brancas, duas a duas, como reflectidas no espelho do ar. Marimbondos que sempre me parecem personagens de Lope de Vega. Às vezes um galo canta. Às vezes um avião passa. Tudo está certo, no seu lugar, cumprindo o seu destino. E eu me sinto completamente feliz. Mas, quando falo dessas pequenas felicidades certas, que estão diante de cada janela, uns dizem que essas coisas não existem, outros que só existem diante das minhas janelas, e outros, finalmente, que é preciso aprender a olhar, para poder vê-las assim.
.
Cecília Meireles (Rio de Janeiro 07-11-1901 / 09-11-1964)

24.6.10

Remember

Paul Celan
(Cernăuţi, 23 November 1920 / Paris, 20 April 1970)


Fala Também Tu

..
Fala também tu,
fala em último lugar,
diz a tua sentença.
.
Fala —
Mas não separes o Não do Sim.
Dá à tua sentença igualmente o sentido:
dá-lhe a sombra.
.
Dá-lhe sombra bastante,
dá-lhe tanta quanta exista à tua volta repartida entre
a meia-noite e o meio-dia e a meia-noite.
.
Olha em redor:
como tudo revive à tua volta! —
Pela morte! Revive!
Fala verdade quem diz sombra.
.
Mas agora reduz o lugar onde te encontras:
Para onde agora, oh despido de sombra, para onde?
.
Sobe. Tacteia no ar.
Tornas-te cada vez mais delgado, irreconhecível, subtil!
Mais subtil: um fio,
por onde a estrela quer descer:
para em baixo nadar, em baixo,
onde pode ver-se a cintilar: na ondulação
das palavras errantes.
.
Paul Celan
in De Limiar em Limiar
.
Tradução de João Barrento e Y. K. Centeno

22.6.10

A Racionalidade Irracional

.
Eu digo muitas vezes que o instinto serve melhor os animais do que a razão a nossa espécie. E o instinto serve melhor os animais porque é conservador, defende a vida. Se um animal come outro, come-o porque tem de comer, porque tem de viver; mas quando assistimos a cenas de lutas terríveis entre animais, o leão que persegue a gazela e que a morde e que a mata e que a devora, parece que o nosso coração sensível dirá «que coisa tão cruel». Não: quem se comporta com crueldade é o homem, não é o animal, aquilo não é crueldade; o animal não tortura, é o homem que tortura. Então o que eu critico é o comportamento do ser humano, um ser dotado de razão, razão disciplinadora, organizadora, mantenedora da vida, que deveria sê-lo e que não o é; o que eu critico é a facilidade com que o ser humano se corrompe, com que se torna maligno.
Aquela ideia que temos da esperança nas crianças, nos meninos e nas meninas pequenas, a ideia de que são seres aparentemente maravilhosos, de olhares puros, relativamente a essa ideia eu digo: pois sim, é tudo muito bonito, são de facto muito simpáticos, são adoráveis, mas deixemos que cresçam para sabermos quem realmente são. E quando crescem, sabemos que infelizmente muitas dessas inocentes crianças vão modificar-se. E por culpa de quê? É a sociedade a única responsável? Há questões de ordem hereditária? O que é que se passa dentro da cabeça das pessoas para serem uma coisa e passarem a ser outra? Uma sociedade que instituiu, como valores a perseguir, esses que nós sabemos, o lucro, o êxito, o triunfo sobre o outro e todas estas coisas, essa sociedade coloca as pessoas numa situação em que acabam por pensar (se é que o dizem e não se limitam a agir) que todos os meios são bons para se alcançar aquilo que se quer. Falámos muito ao longo destes últimos anos (e felizmente continuamos a falar) dos direitos humanos; simplesmente deixámos de falar de uma coisa muito simples, que são os deveres humanos, que são sempre deveres em relação aos outros, sobretudo. E é essa indiferença em relação ao outro, essa espécie de desprezo do outro, que eu me pergunto se tem algum sentido numa situação ou no quadro de existência de uma espécie que se diz racional. Isso, de facto, não posso entender, é uma das minhas grandes angústias.
.
José Saramago in Diálogos com José Saramago

18.6.10

José Saramago

José Saramago ( 16-11-1922 / 18-06-2010 )

Os amantes sem dinheiro

.
Tinham o rosto aberto a quem passava.
Tinham lendas e mitos
e frio no coração.
. Tinham jardins onde a lua passeava
de mãos dadas com a água
e um anjo de pedra por irmão.

Tinham como toda a gente
o milagre de cada dia
escorrendo pelos telhados;
e olhos de oiro
onde ardiam
os sonhos mais tresmalhados.
.
Tinham fome e sede como os bichos,
e silêncio
à roda dos seus passos.
Mas a cada gesto que faziam
um pássaro nascia dos seus dedos
e deslumbrado penetrava nos espaços.
.

Eugénio de Andrade (1923-2005)
.

17.6.10

Os Dias Bons


.

Intimidade


Se dois homens ou duas mulheres têm de partilhar por algum tempo o mesmo espaço (em viagem, numa carruagem-cama ou numa pensão superlotada), não é raro nascerem nessas situações amizades muito singulares. Cada um tem a sua maneira especial de lavar os dentes, de se curvar para descalçar os sapatos ou de encolher as pernas para dormir. A roupa interior, e o resto do vestuário, embora semelhantes, revelam, no pormenor, inúmeras pequenas diferenças a um olhar atento. A princípio - provavelmente devido ao individualismo excessivo do modo de vida actual - existe qualquer coisa como uma resistência semelhante a uma leve repugnância e que rejeita uma aproximação maior, uma ofensa contra a própria personalidade, até ao momento em que essa resistência é superada para dar lugar a uma comunidade que revela uma estranha origem, como uma cicatriz. Muitas pessoas mostram-se, depois de uma tal transformação, mais alegres do que normalmente são; a maior parte mais inofensivas; uma boa parte delas mais faladoras; e quase todas mais amáveis. A sua personalidade mudou, quase se poderia dizer que foi trocada, subcutaneamente, por outra, menos marcada: no lugar do eu surge o primeiro indício de um nós, claramente sentido como um mal-estar e uma diminuição, mas, no fundo, irresistível.
.

Robert Musil (1880-1942) in O Homem sem Qualidades


.

14.6.10

13.6.10

Beijo

pormenor de Le Baiser, Auguste Rodin, 1882
.

Era o beijo a sair da pedra, a voar
na delicada neve que se desfaz a florir
Era o beijo a prender o fugitivo segundo
que esmorece na espuma da próxima onda
.
MJB

26.5.10

Never Land Days


Inquietude

.

Há ainda mais inquietude no ar. Parece que se está no começo de uma nova era, no levantar de uma onda, numa grande mudança. Mas talvez seja apenas a inquietude de que tudo nos escapa, que estamos realmente suspensos, à deriva no espaço, sós ...

.

21.5.10

"Vintage photographic postcard, circa 1907, uncirculated, divided back,
published by Berthaud Frères (B.F.), Paris, France"

20.5.10

O Comboio

Mário Eloy (1900-1951)

19.5.10

Os Portugueses



.../...
A arte em Portugal não tem a ver com a vida. O museu e o espectáculo são coisas que se passam em lugares fechados, com horário e um culto feito em grande parte de snobismo e de obrigação social. Daí o grande desconforto dos artistas em Portugal, uma espécie de marcianos, porque aquilo que fazem não tem nada a ver com os interesses da sociedade. Em Itália. o cidadão mais humilde tem uma intuição, um conhecimento e uma veneração pela arte que aqui terá talvez o equivalente na veneração pela Nossa Senhora de Fátima. Até coincide porque é a veneração por um desconhecido, pelo que está para além da razão. Se não houvesse motivos exteriores, não creio que fizesse falta a quem quer que fosse ir a exposições de pintura, ao teatro ou à ópera.

Há um egoísmo perfeitamente catastrófico que caracteriza os portugueses. No seu dia-a-dia, desde que tenha resolvido o seu problemazinho e possa comer o seu bifinho com batatas fritas ou o seu bacalhauzinho, já tira dai um prazerzinho que o deixa satisfeito. O Eça usou todos esses diminutivos com razão, porque tudo é pequeno, da dimensão ao espírito. Satisfazem-se com pouco.

Outra característica dos portugueses é ter medo do risco, podem cair no ridículo, que fica muito mal. Ora para fazer grandes coisas, é preciso arriscar cair do trapézio. Mas os portugueses preferem trabalhar com rede ou então a um metro do chão. Os Descobrimentos foram uma necessidade porque essa gente que vinha do Norte do Pais, a cair de fome e a morrer pelo caminho, não tinha outra hipótese. E não esqueçamos os mercenários. Os relatos deixam-nos imaginar o tormento daquelas viagens, com doenças e sem comida, em condições de puro desespero. Depois, lá veio a mitificação histórica. Obviamente haveria alguns, poucos, a começar pelo infante D. Henrique, que teriam o seu projecto de alargar a Terra, de chegar a qualquer lado e de tirar lucro, que é o que faz correr o homem. O Camões diz textualmente, n’Os Lusíadas, que «nunca houve nação, nem bárbara, que prezasse tão pouco as artes como a portuguesa». E o padre António Vieira dizia, naquelas etimologias divertidas, que o mundo é mundo porque, por antífrase, é imundo tal como a Lusitânia se chama assim já que não deixa luzir ninguém por causa da inveja. E podíamos continuar com o Eça, com o António Nobre, com os que reflectiram porque tiveram oportunidade de comparar... (...).

Vivi na Alemanha muitos anos e pude constatar que o mito do amor ao trabalho dos Alemães é falso. Não gostam de trabalhar, mas sabem que e preciso. Por isso, fazem-no o mais eficientemente possível. Durante o trabalho, os alemães não conversam sobre futebol nem as alemãs falam de meninos, como aqui. E fora dele é tabu falar sobre isso. Ao contrário de Portugal, onde se passa o almoço a falar do trabalho, uma paranóia perfeita.
.../...

Alberto Pimenta (excertos - Diário de Notícias - Janeiro 1995)

13.5.10

Sociedade Recreativa

Correio dos Leitores - recebido por mail de Manuel do Ó Pereira

11.5.10

A Loucura é uma Destilação Decisiva


Nestes séculos, o escritor tem mantido uma conversa com a loucura. Podemos quase dizer que o escritor do século vinte aspira à loucura. Alguns conseguiram-no, evidentemente, e ocupam lugares especiais na nossa consideração. Para um escritor, a loucura é uma destilação decisiva do eu, uma edição decisiva. É o submergir das vozes enganadoras.

.
Don DeLillo in Os Nomes

9.5.10


pintura de Peter Severin Krøyer (1851 - 1909), conhecido por P.S. Krøyer
"Summer Evening by Skagen's Beach"

8.5.10

Chove

pintura de Gustave Caillebotte (1848-1894)

6.5.10

Qual é a pergunta fundamental?

Vive-se o tempo de todos os tempos. O disco roda tão rápido que parece parado. Todas as cores nele impressas tornam-se brancas na velocidade. Desaba lentamente o castelo de cartão flutuante. As pessoas seguem-no com o olhar, expectantes. Qual é a pergunta fundamental? O que devo questionar agora? O que devo dizer? Viemos de tão longe. Chegámos de tão perto. Temos o mundo inteiro num pequeno fruto simplificado e ao mesmo tempo disperso, complexo, à deriva. Chegámos ao fim de uma era, mas afigura-se que chegámos tarde, porque o começo ou o recomeço de qualquer coisa parece não estar nas nossas mãos, mas algures. Para onde seguiremos? Está iminente um outro tempo mas não um novo tempo.
Mas temos que prosseguir, mesmo sem respostas. E ainda no campo de explosão, a vida segue, presa pelas pequenas coisas. A alegria que não quer morrer, a esperança no próximo passo, na nova descoberta. Aqui no mundo que temos, na vida que temos, cada um de nós.
.

5.5.10

Os Dias Bons

Carl Sagan (1934 - 1996) segurando um modelo do planeta Marte, 1970'
(Fotografia de Hulton Archive/Getty Images)

4.5.10

Remember

Ingeborg Bachmann (1926-1973)

Sombras Rosas Sombras

.
Debaixo de um céu estrangeiro
sombras rosas
sombras
por sobre terra estrangeira
entre rosas e sombras
dentro de uma água estrangeira
minha sombra
.
Ingeborg Bachmann

Os Dias Bons

Florbela Espanca

2.5.10

Portugal, algumas as perguntas

.
Será que vamos continuar à espera como quem espera pelos pais à porta da escola? Do que é que se espera? Será que é agora que saberemos o que fazer deste país? Saberemos quem somos? Saberemos encontrar o nosso lugar no mundo, no futuro? O que é isso de "cumprir Portugal"? Estamos sempre a repensar, sempre a começar, a adiar. De onde vem essa inabilidade para concretizar? Saberemos ser uma nação como uma árvore com nome, raiz, ramos, folhas e frutos? Saberemos nos harmonizar para não ruirmos?
.

30.4.10

Os Dias Bons

Sir Arthur C Clarke na praia de Hikkaduwa , Sri Lanka
Fotografia de Rohan de Silva

28.4.10

Os nossos Eus



Esses eus de que somos feitos, sobrepostos como pratos empilhados nas mãos de um empregado de mesa, têm outros vínculos, outras simpatias, pequenas constituições e direitos próprios - chamem-lhes o que quiserem (e muitas destas coisas nem sequer têm nome) - de modo que um deles só comparece se chover, outro só numa sala de cortinados verdes, outro se Mrs. Jones não estiver presente, outro ainda se se lhe prometer um copo de vinho - e assim por diante; pois cada indivíduo poderá multiplicar, a partir da sua experiência pessoal, os diversos compromissos que os seus diversos eus estabelecerem consigo - e alguns são demasiado absurdos e ridículos para figurarem numa obra impressa.

Virginia Woolf (1882-1941) in Orlando

Francis Bacon, esse homem estranho que nos mostra o nosso estranho mundo

pintura de Francis Bacon (28 October 1909 – 28 April 1992)
Second Version of Triptych,1944

25.4.10

Os Dias Bons

25 de Abril de 1974 , na foto destaca-se o Capitão Salgueiro Maia, o herói do dia

21.4.10

A Tirania do Medo

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O nosso mundo vive demasiado sob a tirania do medo e insistir em mostrar-lhe os perigos que o ameaçam só pode conduzi-lo à apatia da desesperança. O contrário é que é preciso: criar motivos racionais de esperança, razões positivas de viver. Precisamos mais de sentimentos afirmativos do que de negativos. Se os afirmativos tomarem toda a amplitude que justifique um exame estritamente objectivo da nossa situação, os negativos desagregar-se-ão, perdendo a sua razão de ser. Mas se insistirmos em demasia nos negativos, nunca sairemos do desespero.
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Bertrand Russell (1872-1970) in A Última Oportunidade do Homem
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Ava