4.9.16

Da Leveza

"A revolução da leveza continua a avançar, mas não conseguimos encontrar harmonia nas nossas vidas: não nos torna felizes (…). Nunca tivemos tantas possibilidades de viver levemente, mas, no final, a alegria de viver não aumenta” (Da Leveza, p.332)

28.8.16

Belas Artes

"O que nós entrevemos na natureza é força que devora força, nada há que mantenha a sua presença, tudo está de passagem, milhares de sementes são pisadas, a cada momento nascem outras milhares, todas elas grandes e significativas, multiplicando-se até ao infinito; belo e feio, bom e mau, tudo existe lado a lado com igual direito. E a arte é precisamente a contrapartida, ela nasce dos esforços do indivíduo para se manter contra a força destruidora do todo."

Goethe

25.8.16

Aos Amigos

Amo devagar os amigos que são tristes com cinco dedos de cada lado.
Os amigos que enlouquecem e estão sentados, fechando os olhos,
com os livros atrás a arder para toda a eternidade.
Não os chamo, e eles voltam-se profundamente
dentro do fogo.
— Temos um talento doloroso e obscuro.
Construímos um lugar de silêncio.
De paixão.


Herberto Helder

2.8.16

É urgente o amor












É urgente o amor
É urgente um barco no mar
É urgente destruir certas palavras,
ódio, solidão e crueldade, 
alguns lamentos, muitas espadas.

É urgente inventar alegria,
multiplicar os beijos, as searas,
é urgente descobrir rosas e rios
e manhãs claras.
Cai o silêncio nos ombros e a luz
impura, até doer.
É urgente o amor, é urgente
permanecer.

Eugénio de Andrade 

17.7.16

Que estupidez o sangue nas calçadas!

Que estupidez o sangue nas calçadas!

O sangue fez-se para ter dois olhos,
um lépido pé, um braço agente,
uma industriosa mão tocante.

Que estupidez o sangue entre as palavras!

O sangue fez-se para outras flores
menos fáceis de dizer que estas
agora derramadas.


Alexandre O' Neill, In Feira Cabisbaixa, 1965

8.7.16

Portugal no Mundo


Portugal é provavelmente dos paises europeus o pode dizer que as suas ex-colonias festejam com alegria a vitória do ex-colonizador. Em Timor, em Cabo Verde, na Guiné ... festeja-se com grande entusiamo os bons resultados da selecção como se a vitória também fosse deles. E é!

4.7.16

Lugares especiais

                 Ilha do Pessegueiro, Litoral Alentejano, Portugal

27.6.16

Tecendo a Manhã


Um galo sozinho não tece uma manhã:
ele precisará sempre de outros galos.
De um que apanhe esse grito que ele
e o lance a outro; de um outro galo
que apanhe o grito de um galo antes
e o lance a outro; e de outros galos
que com muitos outros galos se cruzem
os fios de sol de seus gritos de galo,
para que a manhã, desde uma teia tênue,
se vá tecendo, entre todos os galos.
E se encorpando em tela, entre todos,
se erguendo tenda, onde entrem todos,
se entretendendo para todos, no toldo
(a manhã) que plana livre de armação.
A manhã, toldo de um tecido tão aéreo
que, tecido, se eleva por si: luz balão.

20.6.16

Pesar o coração


No Antigo Egipto o julgamento dos mortos no tribunal subterrâneo (muitas vezes chamado Salão das Duas Verdades) o coração do morto era pesado contra uma pena ou um algodão (representando simbolicamente Maat). O coração que pesasse mais do que a pena era considerado indigno. Os indivíduos de coração bom e puro eram enviados para Aaru[21] .
A pesagem do coração era normalmente retratada no papiro no Livro dos Mortos ou em cenas de tumbas. Mostra Anúbis supervisionando a pesagem e a Ammit sentada, aguardando os resultados para que pudesse consumir aqueles que falharam. A imagem seria o coração do morto em um dos lados da balança e pena de Maat no lado oposto[22] . 

https://pt.wikipedia.org/wiki/Maat

A relação do ser e do horizonte é circular


A relação do ser e do horizonte é circular. É talvez o aberto que cria o horizonte, é talvez a respiração que abre o mundo. Mas o alento não poderia romper sem a linha pura do horizonte e na lâmpada da respiração não se acenderia se o mundo não fosse já o extenso mundo do aberto. Por isso a escuta é a espera vazia aberta ao tempo e à possibilidade de uma palavra livre mas fiel à simplicidade nova de um começo.

António Ramos Rosa in Relâmpago de Nada

18.6.16

Do not go gentle into that good night

Do not go gentle into that good night,
Old age should burn and rave at close of day;
Rage, rage against the dying of the light.

Though wise men at their end know dark is right,
Because their words had forked no lightning they
Do not go gentle into that good night.

Good men, the last wave by, crying how bright
Their frail deeds might have danced in a green bay,
Rage, rage against the dying of the light.

Wild men who caught and sang the sun in flight,
And learn, too late, they grieved it on its way,
Do not go gentle into that good night.

Grave men, near death, who see with blinding sight
Blind eyes could blaze like meteors and be gay,
Rage, rage against the dying of the light.

And you, my father, there on the sad height,
Curse, bless, me now with your fierce tears, I pray.
Do not go gentle into that good night.
Rage, rage against the dying of the light.

Dylan Thomas1914 - 1953

12.6.16

frases de Jorge Luís Borges para lembrar a sua lucidez

"Qualquer destino, por mais longo e complicado que seja, vale apenas por um único momento: aquele em que o homem compreende de uma vez por todas quem é."


"Há derrotas que têm mais dignidade do que a própria vitória."

"A velhice pode ser o nosso tempo de ventura. O animal está morto, ou quase morto. Restam o homem e a alma."

6.6.16

The Revenant



The Revenant -  Ryuichi Sakamoto, Alva Noto

4.6.16

Ali Underwater

"Ali Underwater", Miami, 1961, fotografia de Flip Schulke  @ Retronaut

(reposição)

O Menino de Sua Mãe

No plano abandonado 
Que a morna brisa aquece, 
De balas trespassado 
— Duas, de lado a lado —, 
Jaz morto e arrefece. 

Raia-lhe a farda o sangue. 
De braços estendidos, 
Alvo, louro, exangue, 
Fita com olhar langue 
E cego os céus perdidos. 

Tão jovem! que jovem era! 
(Agora que idade tem?) 
Filho único, a mãe lhe dera 
Um nome e o mantivera: 
«O menino da sua mãe». 

Caiu-lhe da algibeira 
A cigarreira breve. 
Dera-lha a mãe. Está inteira 
E boa a cigarreira. 
Ele é que já não serve. 

De outra algibeira, alada 
Ponta a roçar o solo, 
A brancura embainhada 
De um lenço... Deu-lho a criada 
Velha que o trouxe ao colo. 

Lá longe, em casa, há a prece: 
«Que volte cedo, e bem!» 
(Malhas que o império tece!) 
Jaz morto, e apodrece, 
O menino da sua mãe. 

Fernando Pessoa, in 'Antologia Poética' 
Citador


28.5.16

Hiroshima , 71 anos depois


A História e o futuro também se fazem nos actos simbólicos.

27.5.16

A ROSA DE HIROXIMA

Pensem nas crianças
Mudas telepáticas
Pensem nas meninas
Cegas inexactas
Pensem nas mulheres
Rotas alteradas
Pensem nas feridas
Como rosas cálidas
Mas oh não se esqueçam
Da rosa da rosa
Da rosa de Hiroxima
A rosa hereditária
A rosa radioactiva
Estúpida e inválida
A rosa com cirrose
A antirrosa atomica
Sem cor sem perfume
Sem rosa sem nada.

Vinicius de Morais, 1954

23.5.16

Se falássemos de amor falávamos de outra maneira.

Se falássemos de amor falávamos de outra maneira. 

A imagem de qualquer pedra servia bem a desordem 
que vai sobre esta mesa 
o copo de cerveja 
admiráveis modos de viver 

o mais mortal amigo é sempre qualquer coisa. 

Assim explicava os grandes reinados rituais 
o produto da terra 
a arte da guerra 
a ilusão vindo de muito longe 
a única árvore o único poço por fortuna. Hábil 
guerreiro e de palavra. 
Contra ele os que foram foram inutilmente. 


João Miguel Fernandes Jorge, in "Meridional" 

A Europa real


"A Europa real é uma colecção de identidades que já não têm a capacidade de se viver plenamente como nações, nem a força de querer e de imaginar a futura Europa como uma nova espécie de nação."

Eduardo Lourenço

numa entrevista ao jornal Público, 2004, Citador

15.5.16

I love you with all my heart



Jung LeeKorean, b. 1972

https://www.artsy.net/artist/jung-lee

12.5.16

Descrição de uma cidade

Não há lado esquerdo na metafísica,
O que não é uma limitação.
A produção industrial de problemas
Solta para o ar nuvens espessas
Que interferem no aeródromo.
Aviões cobertos de graffiti não conseguem levantar voo
Porque, entre os vários desenhos, os miúdos
Desenharam pedras de granito. A Ideia de granito
Pesa mais que a existência concreta de um
Balão, o mundo das ideias é estado transitório entre
O Nada e a montanha. Entretanto, a
Natação tornou-se importante para a cidade
Depois do dilúvio ocorrido há três mil anos. O governo
Oferece inscrições gratuitas e ainda casais de animais
Bruscos, mas mansos. Os homens andam felizes, e também
As mulheres, porque todos aprendem a nadar antes dos
Sessenta. Hoje, neste século, morre-se afogado mais tarde.
O mundo é perfeito de todos os lados,
Menos do lado onde estamos: como um sólido geométrico
Belo que cai em cheio na cabeça desprevenida.
O mundo é fantástico visto de cima, de helicóptero. A linguagem
Sobe e interfere em camadas específicas da atmosfera.
As palavras que usas não são inertes. O inglês, por exemplo,
É Língua que entra excessivamente nas nuvens. O inglês
Para a Astronomia é deselegante, e prejudica ligeiramente
As aves baixas.
No outro lado do mundo, entretanto, alguém, de grandes dimensões,
Enfia o aeródromo num saco de plástico. As pulsações
Da alma medem-se pelos pressentimentos, não por
Aparelhos medicinais. E não se ilumina a escuridão,
Ilumina-se algo que já não é escuridão; precisamente porque
A escuridão é escura, escuríssima segundo dizem.

Gonçalo M. Tavares

10.5.16

VERMEER


Enquanto aquela mulher do Rijksmuseum,
em quietude pintada e concentração, 
dia após dia, não verter o leite 
do jarro para a vasilha,
o Mundo não merece 
o fim do mundo. 


Wislawa Szymborka



(copiado do blog http://poesiailimitada.blogspot.pt/)

8.5.16

A luz do "rainbow church" e a neve cristalizada em rosas ...



de Tokujin Yoshioka

para mais pesquisa: http://www.tokujin.com/ 

a noite feita, ela toda, em segredo


a noite feita, ela toda, em segredo
passando da mão direita para a mão esquerda
e ficar acordado enquanto se adormece
e acordando se se vê que está escrito
de cabeça para baixo
que o mundo de tão lento não se encurva
que tudo está no ovo
e o ovo não aquece nem arrefenta
e que nada está onde é suposto
e o lenço é ar apenas na mão do mágico
e nada se encontra agora onde se encontra
nem a cabeça
nem a caneta
nem a palavra certa para ser escrita
há duzentos ou trezentos anos
quando eu era criança algures noutro alfabeto
e escrevia alto numa espécie de caderno
sem páginas de um lado e de outro
e sem palavra nenhuma
sobretudo

Herberto Helder in Letra Aberta, 2016

4.5.16

MARE NOSTRUM

                   de Carlos Nó, 2015

1.5.16

LISBOA

No bairro de Alfama os eléctricos amarelos cantavam nas 
Subidas. 
Havia duas prisões. Uma delas era para os gatunos. 
Eles acenavam através das grades. 
Eles gritavam. Eles queriam ser fotografados! 

"Mas aqui", dizia o revisor e ria baixinho como um afectado 
"aqui sentam-se os políticos". Eu vi a fachada, a fachada, a fachada 
e em cima, a uma janela, um homem, 
com um binóculo à frente dos olhos, espreitando 
para além do mar. 

A roupa pendia no azul. Os muros estavam quentes. 
As moscas liam cartas microscópicas. 
Seis anos depois, peguntei a uma dama de Lisboa: 
Isto é real, ou fui eu que sonhei ? 

Tomas Tranströmer 
(Tradução por Luís Costa)
  

Citador

30.4.16

O silêncio está povoado

.
O silêncio está povoado de tantas vozes, tantos detalhes, tanta interpretação, tantas perguntas. O mesmo será dizer que o silêncio está povoado de tanta solidão, de tanta vida desperdiçada, de tanta espera.

19-12.2011

(Reposição)
.

25.4.16

Galgos

Amadeo de Souza-Cardoso

Cavalo

   Amadeo de Souza-Cardoso (14 de novembro de 1887 – 25 de outubro de1918

  Amadeo_de_Souza-Cardoso

25 de Abril de 1974 em Portugal



a canção que se ouviu à meia noite ...

E Depois do Adeus de Paulo de Carvalho

24.4.16

Ainda seremos sobretudo ridículos?

Pensar o meu país. De repente toda a gente se pôs a um canto a meditar o país. Nunca o tínhamos pensado, pensáramos apenas os que o governavam sem pensar. E de súbito foi isto. Mas para se chegar ao país tem de se atravessar o espesso nevoeiro da mediocralhada que o infestou. Será que a democracia exige a mediocridade? Mas os povos civilizados dizem que não. Nós é que temos um estilo de ser medíocres. Não é questão de se ser ignorante, incompetente e tudo o mais que se pode acrescentar ao estado em bruto. Não é questão de se ser estúpido. Temos saber, temos inteligência. A questão é só a do equilíbrio e harmonia, a questão é a do bom senso. Há um modo profundo de se ser que fica vivo por baixo de todas as cataplasmas de verniz que se lhe aplicarem. Há um modo de se ser grosseiro, sem ao menos se ter o rasgo de assumir a grosseria. E o resultado é o ridículo, a fífia, a «fuga do pé para o chinelo». O Espanhol é um «bárbaro», mas assume a barbaridade. Nós somos uns campónios com a obsessão de parecermos civilizados. O Francês é um ser artificioso, mas que vive dentro do artifício. O Alemão é uma broca ou um parafuso, mas que tem o feitio de uma broca ou de um parafuso. O Italiano é um histérico, mas que se investe da sua condição no parlapatar barato, na gritaria. O Inglês é um sujeito grave de coco, mas que assume a gravidade e o ridículo que vier nela. Nós somos sobretudo ridículos porque o não queremos parecer. A politiqueirada portuguesa é uma gentalha execranda, parlapatona, intriguista, charlatã, exibicionista, fanfarrona, de um empertigamento patarreco — e tocante de candura. Deus. É pois isto a democracia? 


Vergílio Ferreira in 'Conta-Corrente 2' , 1982-1985

21.4.16

Os Dias Bons


Revolução

"Pensa-se hoje na revolução, não como maneira de se solucionarem problemas postos pela actualidade, mas como um milagre que nos dispensa de resolver problemas."

Simone Weil  (1909- 1943)

18.4.16

Só Dez Por Cento é Mentira - 2008 - Manoel de Barros aos 90 anos





... ele se recolhe diariamente para escrever no seu pequeno cubículo ao qual ele apelidou "o lugar de ser inútil"...

Precisão absoluta


"O que me tranqüiliza é que tudo o que existe, existe com uma precisão absoluta. O que for do tamanho de uma cabeça de alfinete não transborda nem uma fração de milímetro além do tamanho de uma cabeça de alfinete. Tudo o que existe é de uma grande exatidão. Pena é que a maior parte do que existe com essa exatidão nos é tecnicamente invisível. O bom é que a verdade chega a nós como um sentido secreto das coisas. Nós terminamos adivinhando, confusos, a perfeição."

Clarice Lispector

17.4.16

Água e Pedra


 escultura de Kohei Nawa - mais do mesmo autor: http://kohei-nawa.net/

14.4.16

Grandes São os Desertos, e Tudo é Deserto

Grandes são os desertos, e tudo é deserto. 
Não são algumas toneladas de pedras ou tijolos ao alto 
Que disfarçam o solo, o tal solo que é tudo. 
Grandes são os desertos e as almas desertas e grandes 
Desertas porque não passa por elas senão elas mesmas, 
Grandes porque de ali se vê tudo, e tudo morreu. 

Grandes são os desertos, minha alma! 
Grandes são os desertos. 

Não tirei bilhete para a vida, 
Errei a porta do sentimento, 
Não houve vontade ou ocasião que eu não perdesse. 
Hoje não me resta, em vésperas de viagem, 
Com a mala aberta esperando a arrumação adiada, 
Sentado na cadeira em companhia com as camisas que não cabem, 
Hoje não me resta (à parte o incômodo de estar assim sentado) 
Senão saber isto: 
Grandes são os desertos, e tudo é deserto. 
Grande é a vida, e não vale a pena haver vida, 

Arrumo melhor a mala com os olhos de pensar em arrumar 
Que com arrumação das mãos factícias (e creio que digo bem) 
Acendo o cigarro para adiar a viagem, 
Para adiar todas as viagens. 
Para adiar o universo inteiro. 

Volta amanhã, realidade! 
Basta por hoje, gentes! 
Adia-te, presente absoluto! 
Mais vale não ser que ser assim. 

Comprem chocolates à criança a quem sucedi por erro, 
E tirem a tabuleta porque amanhã é infinito. 

Mas tenho que arrumar mala, 
Tenho por força que arrumar a mala, 
A mala. 

Não posso levar as camisas na hipótese e a mala na razão. 
Sim, toda a vida tenho tido que arrumar a mala. 
Mas também, toda a vida, tenho ficado sentado sobre o canto das camisas empilhadas, 
A ruminar, como um boi que não chegou a Ápis, destino. 

Tenho que arrumar a mala de ser. 
Tenho que existir a arrumar malas. 
A cinza do cigarro cai sobre a camisa de cima do monte. 
Olho para o lado, verifico que estou a dormir. 
Sei só que tenho que arrumar a mala, 
E que os desertos são grandes e tudo é deserto, 
E qualquer parábola a respeito disto, mas dessa é que já me esqueci. 

Ergo-me de repente todos os Césares. 
Vou definitivamente arrumar a mala. 
Arre, hei de arrumá-la e fechá-la; 
Hei de vê-la levar de aqui, 
Hei de existir independentemente dela. 

Grandes são os desertos e tudo é deserto, 
Salvo erro, naturalmente. 
Pobre da alma humana com oásis só no deserto ao lado! 

Mais vale arrumar a mala. 
Fim. 

Álvaro de Campos in "Poemas", 1930
(Heterónimo de Fernando Pessoa)